Computadores, smartphones, tablets e televisões fazem parte da rotina de praticamente todos nós. Como consequência, também aumentaram as dúvidas sobre os possíveis efeitos da luz azul emitida pelos ecrãs na nossa visão.
Mas será que esta exposição representa realmente um risco para os olhos? E as lentes com filtro de luz azul são necessárias para todas as pessoas? Entre informação científica e alguns mitos, é importante perceber o que sabemos atualmente sobre o tema.
Neste artigo, esclarecemos as principais dúvidas sobre a luz azul e partilhamos alguns cuidados para manter o conforto visual durante a utilização de dispositivos digitais.
O que é a luz azul?
A luz azul faz parte do espectro da luz visível e está presente naturalmente na luz solar, que constitui a nossa principal fonte de exposição.
No entanto, também pode ser emitida por fontes artificiais, incluindo:
- Smartphones;
- Computadores;
- Tablets;
- Televisões;
- Iluminação LED.
A utilização crescente destes dispositivos levou a uma maior preocupação com os efeitos que os ecrãs podem ter na saúde visual.
A luz azul dos ecrãs faz mal aos olhos?
Este é um dos principais mitos que importa esclarecer.
De acordo com a evidência científica atualmente disponível, não está demonstrado que a luz azul emitida pelos ecrãs, nas condições habituais de utilização, provoque danos permanentes nos olhos.
Isto não significa, contudo, que passar muitas horas em frente a dispositivos digitais seja totalmente inofensivo para o conforto visual.
O problema está sobretudo associado à forma e ao tempo durante o qual utilizamos os ecrãs.
Porque sentimos os olhos cansados depois de utilizar ecrãs?
Após várias horas ao computador ou ao telemóvel, é comum sentir:
- Olhos cansados;
- Secura ocular;
- Visão temporariamente desfocada;
- dores de cabeça;
- Dificuldade de concentração;
- Desconforto ocular.
Estes sintomas estão frequentemente associados à chamada fadiga visual digital.
Quando estamos concentrados num ecrã, tendemos a pestanejar menos e mantemos os olhos focados à mesma distância durante longos períodos. Além disso, reflexos, iluminação inadequada, distância incorreta do monitor ou uma graduação desatualizada podem aumentar o desconforto.
Assim, nem sempre a luz azul é a principal responsável pelos sintomas.
E a luz azul pode afetar o sono?
Aqui existe uma diferença importante.
A exposição à luz durante a noite, incluindo a luz emitida pelos dispositivos digitais, pode interferir com os mecanismos naturais que regulam o ciclo de sono e vigília.
Utilizar o telemóvel, tablet ou computador até ao momento de dormir pode, por isso, dificultar a preparação do organismo para o descanso em algumas pessoas.
Reduzir a utilização de ecrãs antes de dormir e utilizar as funcionalidades de modo noturno disponíveis nos dispositivos pode ajudar a criar melhores hábitos de sono.
As lentes com filtro de luz azul são necessárias?
As lentes com filtro de luz azul tornaram-se populares entre pessoas que passam muitas horas em frente a dispositivos digitais.
No entanto, não devem ser encaradas como uma proteção obrigatória contra danos provocados pelos ecrãs, uma vez que a evidência disponível não demonstra que sejam necessárias para prevenir doenças oculares associadas à utilização normal destes dispositivos.
Dependendo das características das lentes e das necessidades individuais, algumas pessoas podem apreciar determinados tratamentos pelo conforto proporcionado. A escolha deve ser feita de acordo com os hábitos e necessidades visuais de cada utilizador.
O tratamento antirreflexo pode fazer diferença?
Para quem trabalha muitas horas ao computador, um bom tratamento antirreflexo pode ser particularmente relevante.
Ao reduzir os reflexos nas lentes, pode proporcionar uma visão mais confortável em ambientes com iluminação artificial e durante a utilização de dispositivos digitais.
Além disso, é importante garantir que a graduação está atualizada e adequada à distância de trabalho.
Como reduzir a fadiga visual digital?
Mais importante do que concentrar toda a atenção na luz azul é adotar bons hábitos durante a utilização dos ecrãs.
Alguns cuidados podem fazer diferença:
- Faça pausas regulares;
- Evite utilizar o ecrã demasiado perto dos olhos;
- Ajuste o brilho às condições do ambiente;
- Reduza reflexos no monitor;
- Mantenha uma iluminação confortável;
- Lembre-se de pestanejar regularmente;
- Aumente o tamanho do texto se sentir necessidade.
Uma estratégia conhecida é a regra 20-20-20: aproximadamente a cada 20 minutos, desviar o olhar durante 20 segundos para algo situado a cerca de 6 metros.
Não ignore sintomas persistentes
Sentir algum cansaço depois de várias horas de trabalho pode acontecer. No entanto, sintomas frequentes ou persistentes não devem ser automaticamente atribuídos aos ecrãs.
Dores de cabeça, visão desfocada ou dificuldade em focar podem também indicar que a graduação deixou de estar adequada ou que existe outra necessidade visual.
Nestes casos, é aconselhável realizar uma avaliação.
O papel do Oculista Afonso
No Oculista Afonso, ajudamos cada cliente a encontrar soluções adaptadas às suas necessidades visuais e aos seus hábitos diários.
Para quem passa várias horas ao computador ou utiliza frequentemente dispositivos digitais, uma avaliação permite perceber se a graduação está adequada e quais as características das lentes que podem proporcionar maior conforto no dia a dia.
Conclusão
A luz azul dos ecrãs tornou-se uma preocupação frequente, mas é importante distinguir os mitos daquilo que a evidência científica demonstra.
Atualmente, não existem provas de que a exposição normal à luz azul dos dispositivos digitais provoque danos permanentes nos olhos. Por outro lado, passar muitas horas em frente a ecrãs pode contribuir para fadiga e desconforto visual.
Fazer pausas, ajustar corretamente o espaço de trabalho e manter a graduação atualizada são alguns dos cuidados mais importantes para utilizar dispositivos digitais com maior conforto.


